Dia do Surdo: inclusão real no trabalho exige ir além da contratação e transformar a cultura organizacional
25 Set. 2026 ● 3 min de leitura
Acessibilidade, capacitação em Libras e envolvimento comunitário são pilares essenciais para o pertencimento
Medianeira (PR), Setembro de 2026 — O Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro, é um marco para a conscientização sobre os direitos e os desafios enfrentados pela comunidade surda no Brasil. No ambiente corporativo, a data convida a uma reflexão profunda: a inclusão de Pessoas com Deficiência (PcD) se encerra no cumprimento de cotas ou é o ponto de partida para a construção de um ambiente acessível e equitativo?
Dados divulgados pelo IBGE em 2021 apontam que cerca de 2,3 milhões de pessoas no Brasil têm deficiência auditiva, o que corresponde a 1,1% da população brasileira. A previsão é de que até 2050 uma a cada quatro pessoas viverão com algum grau de perda auditiva, segundo adverte o primeiro Relatório Mundial sobre Audição, da Organização Mundial da Saúde (OMS). O cenário acende um alerta para a presença de cada vez mais profissionais surdos no mercado de trabalho e, com isso, a necessidade de as empresas se adequarem para recebê-los.
Para especialistas em gestão de pessoas, a inclusão genuína exige superar a barreira do recrutamento. Contratar é apenas o primeiro passo, pois a verdadeira integração acontece quando o profissional surdo encontra recursos, adaptações estruturais e uma equipe treinada para se comunicar e colaborar de forma contínua, garantindo sua plena autonomia tanto em funções produtivas quanto administrativas.
Atenta a essa responsabilidade social e ao compromisso com a igualdade de oportunidades, a Frimesa, uma das maiores cooperativas alimentícias do Brasil e um dos principais motores socioeconômicos do Paraná, fechou o ano de 2025 com 12,4% do quadro de colaboradores PcDs, grupo que inclui profissionais surdos. Para assegurar que esses trabalhadores atuem com segurança, clareza e pertencimento, a cooperativa tem investido no aprimoramento da comunicação e em iniciativas que envolvem toda a equipe.
A cooperativa consolidou parcerias estratégicas em Medianeira (PR), onde está localizada sua sede administrativa, para apoiar o trabalho da AMESFI (Associação Medianeirense de Surdos) e da AMEDEF (Associação Medianeirense dos Deficientes Físicos), entidades que são referência em educação, saúde e assistência social na região. Em vez de criar ações próprias do zero, a Frimesa optou por impulsionar e fortalecer as iniciativas já desenvolvidas e lideradas por essas instituições, atuando em frentes conjuntas:
- Capacitação e Empregabilidade: Treinamentos direcionados para lideranças e criação de oportunidades de trabalho para as pessoas atendidas pelas associações, facilitando a transição para o mercado formal.
- Letramento em Libras: Indicação contínua de colaboradores ouvintes da Frimesa para participarem gratuitamente dos cursos de Língua Brasileira de Sinais (Libras) oferecidos pela AMESFI, promovendo o diálogo e reduzindo ruídos de comunicação nas rotinas de trabalho.
- Apoio Socioeducativo e Sustentabilidade: Repasse de doações mensais para projetos sociais e direcionamento de materiais recicláveis gerados pela cooperativa para o reaproveitamento na confecção de peças artesanais.
Promover a inclusão de colaboradores surdos exige ir além do básico. Trata-se de educar a empresa como um todo para acolher a diversidade linguística e cultural da comunidade surda. Quando viabilizamos o letramento em Libras para os times e nos aliamos a entidades como a AMESFI, transformamos a cultura da empresa e geramos um impacto positivo duradouro para toda a comunidade de Medianeira”, destaca Cinara Munhoz Cazorla, Gerente de Gente e Gestão da Frimesa. Para a executiva, ao engajar lideranças e pares na aprendizagem de Libras e ao apoiar a economia circular e artesanal do terceiro setor local, cria-se um ecossistema no qual o colaborador se desenvolve profissionalmente.
“Neste Dia Nacional do Surdo, o convite que fica para o setor produtivo é entender a diversidade não como uma métrica burocrática, mas como um valor humano indispensável para a inovação, empatia e evolução da sociedade”, finaliza.
